Tuesday,February 28, 2006
Livro: Memórias do Demo
Acabei de ler mais um livro, e dos bons. Vale falar que eu não achei este livro na internet para vender, mas comprei ele na última feira do livro aqui em Porto Alegre.
Memórias do Demo do brasileiro Gilbeto Vilar de Carvalho é um livro em primeira pessoa onde o autor do livro fala como se fosse o próprio “capeta”.
A idéia é ótima, mostrar como a sociedade falar de um ser metafísico sem saber da real importância dele ou se mesmo é de “tão mau” quanto o cristianismo fala.
Veja bem, não são apologias ao demo, mas o livro trata de uma linha cronológica, inclusive explicando alguns fatos da sociedade, as fraquezas do ser humano, as riquezas que o homem possui e não sabe utilizar, ou até mesmo usando para fazer o mau, onde surge a velha máxima: “isto é coisa do capeta”.
Enfim, acho que não tenho muito a falar de uma obra de 1985 que você não consegue parar de ler, você só consegue gostar e analisar o que nele está escrito.
Abaixo segue uma das passagens que eu considerei mais importantes do livro, com tal trecho pode-se avaliar o quão bom é tal leitura.
E o que é que vai sobrar das utopias ?
Sobrará o homem nu e cru, na sua essência, que é ser pobre sendo capaz de ser rico, fraco tendo tudo para ser forte, ignorante podendo muito bem ser sábio, capaz de arrebentar o mundo, deixando-o porém em paz. Isto é “habentes tamquam nihil possidentes”. Na fumaça da grande bomba, ou no silêncio da desintegração do pensamento, se diluirão os Estados, com suas leis e preconceitos, bem como o egoísmo e o sentido do bem e do mal. E o homem, aquilo que sobrar do homo sapiens, levantará a cabeça vazia por dentro, por fora coberta de cinzas e, ao ver que nada mais existe daquilo que em milênios construiu, soltará uma gostosa gargalhada, em vez de chorar a sua perda: saberá que daí em diante poderá ser feliz.
Agora um poema que em algum capuítulo do livro o autor faz citação.
Por Juan de la cruz
“Para venir a saberlo todo,
no quieras saer algo en nada.
para venir a gustarlo todo,
no quieras gustar algo em nada.
para venir a poseerlo todo,
no quieras poseer algo en nada.
para venir a serlo todo,
no quieras ser algo en nada.”


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